verdade, mentira, certeza, incerteza...
aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras.
estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas
sobre o mais alto dos joelhos
bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são?
o cego pára na estrada,
desliguei as mãos de cima do joelho
verdade, mentira, certeza, incerteza são as mesmas?
qualquer cousa mudou numa parte da realidade – os meus joelhos e as minhas mãos.
qual é a ciência que tem conhecimento para isto?
o cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos.
já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual.
ser real é isto.
Alberto Caeiro, in “Poemas Inconjuntos”